Fotografias por Joseph Gianetti.

Jim Breakewood Jr. pode parecer um cara assustador. Com 1,88m de altura, carregado de músculos, cabelo e barba compridos e bagunçados, ele é uma figura imponente. É como se um viking tivesse decidido que ainda não estava pronto para Valhalla e resolvido visitar o Instagram. Apesar disso, Jim tem um ponto fraco por cachorros, em particular por sua Staffordshire Bull Terrier, Amora.

Jim viu a guerra de dentro. Ele participou em batalha em duas incursões no Iraque. Ele foi ferido e perdeu amigos. Durante sua segunda incursão, em Mosul, Jim foi atingido por um tiro na cabeça, mas de alguma forma sobreviveu e voltou para casa. Ele foi condecorado com um Coração Púrpuro, uma condecoração militar dos Estados Unidos, outorgada em nome do Presidente a todos os integrantes das Forças Armadas que sejam feridos ou mortos durante o serviço militar.

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Apesar das honrarias, ele foi diagnosticado com estresse pós-traumático e como muitos veteranos, ele se voltou à bebida e a pensamentos suicidas.

Mas seu espírito guerreiro não permitiria que ele simplesmente desistisse.

Jim percebeu que havia trilhado um caminho perigoso, feito escolhas ruins e que estava disposto a mudar. Depois de algum tempo, ele sentiu que um novo bichinho de estimação talvez pudesse ajudá-lo no seu tratamento. Ele relembra o dia em que foi ao abrigo e conheceu Amora, uma Staffordshire Bull Terrier com três patas.

“Quando eu estava voltando da visita aos filhotes eu passei pela Amora. Ela tinha acabado de sair da cirurgia em que amputaram sua pata traseira direita. Ela estava com o cone e seus curativos ainda estavam molhados. Ela tentou com todas suas forças se levantar para me conhecer e eu podia ver o quanto isso a machucava. Mas ela não se importava e eu me apaixonei ali mesmo.”

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Como sabemos, pit bulls frequentemente têm uma má reputação. Vistos como uma “raça agressiva”, eles formam 40% dos 1.5 milhões de cães sacrificados em abrigos todos os anos nos Estados Unidos. Até mesmo ser parecido com um pit bull pode significar para o cão uma longa estadia em um abrigo canino ou até mesmo seu sacrifício imediato. No entanto, Jim não estava preocupado com isso. Levado às lágrimas pelo filhote em seu cone pó-operatório, ele decidiu levá-lo para casa. Ela se acomodou, escalou até o seu colo e dormiu. Jim registrou a ocasião em um foto – Amora adormecida e ele com um sorriso, mesmo com lágrimas no olhos.

Foi um grande momento:

“Eu sabia que a minha vida tinha mudado. Eu não podia mais me matar. Eu sabia que precisava ficar vivo para protegê-la garantir que ela esteja bem. Ela precisava de mim. Eu precisava dela.”

Amora chegou no abrigo depois de um acidente de carro. Sua pata estava machucada ao ponto de não poder ser salva e teve de ser removida pouco antes de Jim chegar. Ela não é um animal para terapia da forma como costumamos pensar. “Eu quase não treinei ela. Ela vem quando eu chamo e eu não levei muito além disso… Ela se aconchega comigo quando eu preciso e eu nem tenho de pedir. De alguma forma ela sabe quando me dar espaço. Ela dá propósito e direção à minha vida”, afirma Jim.

“Ela me faz companhia, me dá um melhor amigo… Eu acho que não consigo enfatizar o suficiente o quão importante ela é para mim. Eu me acordo no meio da noite se ela para de roncar.”

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“… ela me devolveu a vontade de viver. Um relacionamento de 5 anos tinha terminado, eu estava completamente fechado e isolado dentro da academia e os sintomas do estresse pós-traumático e dos danos ao meu cérebro estavam tornando-se esmagadores. Eu não conseguia mais aproveitar as coisas. Eu não tinha mais motivação para nada, e de alguma forma ela mudou tudo isso.”

“É difícil explicar … quando eu trouxe ela pra casa e apenas sabia que tinha de protegê-la e dar a ela a melhor vida que puder. Eu não podia mais ser egoísta e simplesmente me matar. Ela precisa de mim.”

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