Assim como já aconteceu em Minas Gerais, a região noroeste do estado de São Paulo tem registrado um aumento das morte de macacos, e o motivo disso é o medo da febre amarela.

O macaquinho bugio recém-nascido ainda está assustado. Ele foi resgatado pela Polícia Ambiental em um condomínio de chácaras, em Cardoso, no interior de São Paulo. A mãe dele foi encontrada morta com sinais de envenenamento.

“Foi achado um pote de veneno com comida do lado do corpo da mãe. E ele chegou desidratado e hiperglicêmico”, disse a veterinária Fernanda Segobi Pegolo.

O caso reforça a suspeita de que os macacos estão sendo caçados e mortos por causa do medo da febre amarela.

De janeiro de 2016 até agora mais de 200 macacos foram encontrados mortos no estado de São Paulo. Um levantamento da Secretaria estadual de Saúde revelou que a maioria pode ter sido executada, já que apresentava traumatismos e lesões. Só em São José do Rio Preto foram encontrados 50 animais mortos. E apenas dois estavam com febre amarela.

“Em 60% desses animais a gente encontrou alguma causa externa, seja traumatismo, choque elétrico. Tivemos um animal carbonizado e outro que foi ferido por uma arma”, disse Michela Barros, secretária de Saúde de Rio Preto.

Os macacos são os primeiros afetados pela febre amarela silvestre: uma fêmea de mosquito infectada com o vírus, ao picar o animal, acaba transmitindo o vírus a ele, que fica doente. E as fêmeas de mosquitos não infectadas quando picam um macaco doente passam a ter o vírus e a transmiti-lo para outros macacos.

E é a partir do registro da morte desses animais que as Secretarias municipais de Saúde conseguem identificar que o vírus está circulando na região.

“Se ele adoece com febre amarela e vier a falecer, a gente vai fazer a investigação e verificar que está circulando, ele é um evento sentinela para a gente. Se a pessoa acaba agredindo e esse macaco morre por uma causa externa a gente vai estar direcionando toda uma ação para uma suspeita que não é pela doença”, explicou a gerente de vigilância Andréia Negri.

Além de um erro grave, matar ou machucar animais é crime.

“Qualquer tipo de conduta que constitua uma agressão a animal silvestre ou não, com febre amarela ou não, essa conduta é considerada crime ambiental e tem pena de detenção de até um ano, além de uma multa que parte de R$ 3 mil”, afirmou o capitão Cassius Oliveira, da Polícia Ambiental.